13/06/2014
FAMÍLIA, AMIGOS E A HISTÓRIA, NA PAIXÃO PELO BRASIL:
  • Quinta-feira foi dia de Futebol não apenas para o Paulistano ou o Brasileiro. Foi um dia especial, data para ser lembrada por gerações; em que o Mundo voltou seus olhos para a nova Arena de São Paulo, de uma forma que o Brasil nunca viveu antes.
    Em 1950, na primeira Copa realizada por aqui, não existia internet, celular, ou transmissão via satélite. O telefone era um artigo de luxo extremo, e não era possível sequer se fazer uma chamada entre cidades diferentes sem a ajuda de diversas telefonistas... Em muitos casos se chegaria mais rápido de trem ou automóvel para um encontro, do que esperando que se completasse uma chamada interurbana entre dois estados vizinhos. A própria televisão era pouco mais que um sonho, ainda um projeto audacioso, bancada pelo visionário Assis Chateaubriand, que poucos meses após o final da Copa, inauguraria a pioneira TV Tupi, em São Paulo, no dia 18 de setembro, ou seja, pouco mais de dois meses após a derrota brasileira para a Seleção do Uruguai (16 de julho). Mas havia algo naquela Copa que ecoa ainda hoje nos gramados brasileiros. Um sentimento que foi capaz de embargar as vozes de 200 mil torcedores no velho Maracanã (174 mil na contagem oficial). A paixão do Brasileiro pela sua Seleção. Esse amor absoluto, passional muitas vezes, foi celebrado, descrito e também eternizado nos textos de Nelson Rodrigues, o maior dos nossos cronistas. Este sentimento tão intenso foi criado certamente da magia, do talento e pela dignidade de homens que nunca ficariam milionários com o futebol em diferentes gerações de craques; como Gilmar, Leônidas, Zizinho, Garrincha, Didi, Bellini e Friaça; dentre tantos outros que mereceriam ser citados. E atravessou gerações, tecnologias, se fortaleceu nas vitórias em Cinco Mundiais, até chegarmos ao jogo de ontem...
    São Paulo honrou nossa história. Temos um governador que não se rendeu ao revanchismo político e garantiu aos torcedores o direito básico de ir e vir. Se a praia é democrática e iguala todos no Rio, a abertura da Copa uniu classes e paixões na outrora distante e popular Itaquera! Mostrou que o transporte público pode ser eficiente e seguro, que a Polícia Militar sabe cumprir seu papel, e que o povo brasileiro sabe ser generoso com seus visitantes. Nas filas de acesso ao estádio, o verde e amarelo abriu passagem ao vermelho e branco sem maiores conflitos. Os Croatas cantaram, dançaram e foram abraçados pelos brasileiros em meio a milhares de fotos. Nosso povo cantou o hino, protestou, vibrou, comemorou e voltou para casa em segurança. Nossas crianças participaram da história na Arena de São Paulo com um sorriso ingênuo, olhar doce, coração palpitando... Está formada mais uma geração fruto do mesmo amor que se manifestou no meio do século passado... Os pequenos brasileiros não estavam nas arquibancadas para pensar em linha política, não se preocuparam com discursos... Tinham Neymar, vibraram com Oscar... São Paulo parou durante a partida, nossas famílias se reuniram, torceram nas praças, restaurantes, bares, Fan Fests, e principalmente nos lares de norte a sul, leste a oeste. Copa do Mundo é tempo também da família, dos amigos, Carnaval em dia que seria de trabalho; churrasco fora do domingo; tempo de alegria quando ganhamos, e tristeza nas derrotas...
    Desta vez, o Mundo espera entender esta magia. Muitos estão confusos com os protestos, com a violência das ruas, com as obras que não saíram do papel. Tudo isso, certamente será cobrado após o Mundial. Hoje, o momento é nosso, faz parte da essência de ser brasileiro. Queremos estar no topo do Mundo novamente, gritar com o peito inflado o orgulho pelos nosso heróis da Seleção Canarinho! O brasileiro não torce por Cuba, nossas almas não são tocadas pelo Mambo. O Brasil se redescobre, amadurece e mais do que nunca sabe de suas mazelas, de seus problemas. Temos que ser pacientes... Lembrar que tudo tem o seu tempo... Esse é o tempo de sermos generosos com nossos visitantes, de lembrar da responsabilidade de acolher bem a quem também nos amou e se vestiu de verde e amarelo em tantas Copas passadas. Temos responsabilidade com aquelas crianças que vestem o verde e amarelo da esperança na faixa de Gaza, nas ruas de Israel, nas trilhas de terra de Angola, nos campos de arroz da China ou na gelada Sibéria. O futebol brasileiro é um patrimônio da humanidade. Parou guerras na África, trouxe conforto a Países devastados, como o Haiti. A quem interessa isolar o Brasil em seu pessimismo, em seu ressentimento contra a própria criação? Querem agora com atos de violência na Copa nos afastar daqueles que nos recebem tão bem no exterior a tantas gerações, por quê??? Eu respeito o direito de qualquer brasileiro que queira viver em Cuba, já que tantos membros do nosso governo andam viajando para lá ultimamente. Mas quero meus filhos e sobrinhos vivendo orgulhosos no Brasil, e crescendo com amigos dos Estados Unidos, da Inglaterra, da França, Itália, Portugal, Espanha e Holanda; dentre tantas outras nações amigas que também participaram da formação do nosso povo. Portanto respeitem o nosso direito de degustar a Copa, já que mudanças neste País são conquistadas no voto, e não destruindo bancos, lojas e o patrimônio público, que pertence a todos nós. E venha o Hexa, ou não, nada destrói a paixão do Brasil pela sua Seleção!