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17/07/2011
SE OS DEUSES DO FUTEBOL EXISTEM, NÃO SEI... MAS QUE AGIRAM COM PRECISÃO POLÍTICA NO MUNDIAL FEMININO E NA COPA AMÉRICA, DISSO EU TENHO CERTEZA...
  • Era um domingo repleto de decisões para algumas das competições mais importantes do mundo do futebol. Na Alemanha, a Seleção Feminina dos Estados Unidos enfrentava a emergente Seleção Japonesa, com ares de um favoritismo respaldado por um domínio histórico absoluto e duas vitórias recentes em partidas preparatórias, nos meses de março e maio de 2011.
    Na Argentina, a única Seleção Penta-Campeã do Mundo enfrentaria o Paraguai, também com ares de favorita, e contando com as novas estrelas do futebol Mundial: Pato, Neymar e Ganso.
    No Campo político, entretanto, as partidas traziam marcas de um passado doloroso. Se lembrarmos das adversidades enfrentadas pelo País do Sol Nascente, que ainda conta suas vítimas após o violento terremoto que foi seguido por um devastador Tsunami provocando milhares de mortes imediatas, além das vítimas potenciais da radiação que continua assombrando a população, já poderíamos pensar numa motivação extra para o orgulho da pátria por parte das japonesas. Mas neste caso, a história traz raízes ainda mais profundas de dor para a equipe Nipônica, já que do outro lado do gramado a bandeira defendida pelas adversárias ainda carrega a marca de um ato ainda mais sombrio. Foi contra os antepassados das meninas-samurai que o mundo assistiu, aterrorizado, à utilização de armas nucleares contra uma população Cívil.
    Na Argentina, os paraguaios hoje extremamente dependentes do comércio de produtos importados com os sacoleiros brasileiros, também tinham sua grande parcela de dor a relembrar. Na época em que o Brasil ainda era um Império, o desejo de uma saída para o mar levou o Paraguai a uma sangrenta guerra contra o Brasil, onde além de manter a integridade do seu território as forças brasileiras passaram dos limites, e exterminaram a maior parte da população masculina do País vizinho, em meio a diversos outros hediondos crimes de guerra.
    Mas por quê relacionar os “Deuses”do futebol a um passado de dor, e a dois eventos tão distintos como o Mundial Feminino de Futebol da Fifa e a Copa América? Quem conseguiu acompanhar aos dois jogos simultaneamente entenderá mais facilmente o raciocínio.
    Na Alemanha as meninas do Tio Sam disputavam um das suas melhores partidas. Saíram na frente do marcador, se recuperaram quando levaram o gol de empate e foram para a prorrogação conscientes, obtendo uma nova vantagem no gol de cabeça de Wambach, que parecia liquidar a decisão. Mas estranhamente as Americanas erravam justamente nos fundamentos onde sempre demonstraram maior domínio. A zaga cometia erros dignos de concorrência ao quadro “Bola Mucha” do Fantástico, e assim o valente time do Japão chegou ao empate em um jogo onde a artilheira Wanbach, sozinha, poderia ter anotado ao menos quatro gols e confirmar a lógica da partida, apenas em lances dentro da pequena área.
    Na Argentina, o Brasil fazia sua melhor exibição na Copa América. Neymar, Ganso, Pato e Robinho colocaram os paraguaios para sambar em diversas oportunidades. O time chegava a empolgar, mas na hora de finalizar colher os frutos da genialidade dos nossos craques, surgia um feroz combatente paraguaio, o goleiro Villar, que defendia sua meta como se fora o último ponto da fronteira a ser salvo numa guerra. Foi um 0 X 0 sofrido no tempo normal e a exemplo do que ocorria na decisão das mulheres na Europa, as duas torcidas Sul-Americanas passariam por novo empate na prorrogação.
    Na Alemanha a decisão por pênaltis era a chance de consagração da Musa Hope Solo, que ofuscara até mesmo a nossa Marta nas quartas de final. E daí, num outro fundamento do futebol onde as meninas do Tio Sam são historicamente perfeitas, veio inimaginável. Três cobranças incrivelmente ruins das consagradas craques americanas, devolveram num evento desportivo um pouco da luz, do brilho perdido no olhar triste dos antigos súditos do Imperador Hirohito quando os cogumelos atômicos ceifavam em segundos dezenas de milhares de vidas. O sol de segunda feira se ergue muito mais brilhante no Japão, finalmente Campeão do Mundo de Futebol pela força das suas pequenas gigantes, assim quiseram os “Deuses”...
    Na Argentina, mal as japonesas tinham começado a celebrar sua conquista na distante Europa, foi a vez dos Homens do Brasil abrirem a cobrança das penalidades que decidiram o futuro da equipe na Copa América. E para aqueles que acreditam que a ação dos “Deuses”tem que ser repetida para não ser creditada ao Sr. “acaso”, quatro cobranças foram desperdiçadas pelo Brasil, como nunca ocorrera antes na história da nossa Seleção. Hora dos Paraguaios celebrarem, irem ao êxtase contra os algozes de uma das guerras mais insanas do século XIX.
    Ainda falando da Copa América, foi também curioso como o Brasil e a Argentina repetiram exatamente as mesmas seqüencias de resultados, até que ambas terminaram eliminadas nas cobranças de penalidades nas quartas de finais. Ficou até monótono, pois os jornalistas brasileiros tripudiavam da maré negativa dos “hermanos” num dia, e os colegas argentinos devolviam o mesmo tratamento com a partida subseqüente do Brasil. Até na única partida que as duas Seleções venceram a ordem foi respeitada...
    Com o ressurgimento do futebol Uruguaio já nas proximidades da Copa do 2014, é bom que o Brasil comece desde já a buscar formas eficientes, para não proporcionar uma grande celebração aos Uruguaios pelos 64 anos do Maracanazzo. Talvez baste trocar a ordem, levando a abertura da Copa para o Rio e a Final para São Paulo...Não...Melhor consultar os “Deuses” e os livros de história primeiro... Afinal de contas, o Uruguai no passado já fez parte do território brasileiro...

    Romeu Carvalho de Castro
    Jornalista e Presidente do Saad EC