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29/05/2014
CRÔNICA DE COPACABANA - SR. CORREIA, O BARBEIRO DO PRESIDENTE JUSCELINO KUBITSCHEK
  • Passei recentemente dez dias no Rio de Janeiro, produzindo um documentário sobre os preparativos para Copa do Mundo de 2014 para uma estação de TV da China. Em meio a terrível frustração que já tomava conta dos nossos amigos e jornalistas Chineses, que procuravam em vão pelo tal Espírito da Copa do Mundo pelas ruas e praias Cariocas, me deparei com a viva memória de um passado muito mais feliz e empolgante.
    Ao buscar um salão para cortar o cabelo, nas proximidades do tradicional Hotel Olinda Rio, me deparei com uma daquelas antigas barbearias, já meio escondida pela cidade que se transforma em ritmo frenético. Ao fundo, um senhor preparava lentamente os instrumentos do seu trabalho, e me convidou a entrar. Indiquei o corte desejado, e pelo espelho observei-o iniciar o corte, com movimentos lentos, porém bastante seguros.
    Perguntei há quantos anos ele trabalhava naquele salão, e a resposta me deixou surpreso: São 70 anos de Copacabana meu filho, viam aos 26 de Paraíba para criar os filhos! - Surpreso, questionei novamente: O senhor quer me dizer que já tem 96 anos??? - Exatamente, respondeu o compenetrado velhinho!!! - E concluiu: São 96 anos, 02 esposas que já partiram para o andar de cima, 06 filhos, 14 netos e 06 bisnetos!
    Outras pessoas adentraram ao salão, e com aquela alegria tipicamente Carioca, logo trataram de chamar a atenção:: - Correia meu Velho!!!, Boa noite!!!! Estamos na fila hein!!!
    Logo todos conversavam no salão. Descobri que o Correia é um dos últimos remanescentes da antiga Copacabana, aquele lugar encantado do Rio onde todos se conheciam, tempos em que na vizinha Ipanema o maestro Tom Jobim podia colocar numa música seu endereço à Rua Nascimento e Silva 107, sem medo de sequestradores; que a bela garota de Ipanema não corria riscos de ataques nos já tais arrastões, que aliás, naquela época poderiam ser confundidos, no singular, com o título da bela música interpretada por Elis Regina.
    Trabalhando com honestidade e dedicação, o Correia que trocou João Pessoa pelo Rio conseguir formar cinco filhos em Universidades, sem bolsa família ou crédito educativo. Conquistou com muito trabalho a casa própria, ajudou os filhos em momentos de necessidade, e viu, entristecido, seu paraíso em Copacabana passar por momentos nada nobres, com o aumento da violência e prostituição. Mas nada pode diminuir o seu profundo amor e gratidão pela velha Copacabana, a ponto de não conseguir abandonar a atual, apesar do apelo dos filhos e netos. Lógico que Copacabana também perderia ainda mais da velha alma com a sua partida. Basta caminhar pelo quarteirão que são inúmeros os cumprimentos e abraços no mais experiente Barbeiro em atividade na cidade... Apesar dos desafios impostos pelo tempo, ele Insiste em morar sozinho e trabalhar todos os dias. Lembra com nostalgia da educação e dos principios de homens como o Presidente Juscelino Kubitschek, a quem atendia com exclusividade no salão. Eram dias de boa conversa sobre o futuro do País, sobre as famílias, e sempre norteados pelo orgulho do Brasil daqueles tempos. Aliás, são muitas as personalidades que responderam com dignidade pelo governo brasileiro, sejam democratas ou membros do governo militar, que se sentaram na cadeira do Salão do Velho Correia...
    Voltando ao Espirito da Copa e aos Jornalistas Chineses, foi um trabalho delicado. O tal do Espirito da Copa ainda permanece um tanto quanto amedrontado, intimidado pelos protestos contra a violência, saúde, corrupção e tantos outros males que assombram o nosso Gigante Adormecido, Resta esperar que nossos compatriotas se lembrem que a FIFA não elege os nossos políticos, não intimidou o Brasil a organizar nenhum tipo de evento e nem promove o mensalão, e muito menos determinou que deveríamos construir 12 Estádios para a Copa. Hospitais e Escolas no tal